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Daniel Dutra, Diretor
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Daniel Dutra, Diretor

Rebranding do Itaú revela sua visão para o futuro e a essência do Design Brasileiro

Entenda como e porquê uma marca consolidada como o Itaú mudou após mais de 40 anos. Leia o texto e acompanhe a nossa análise sobre o assunto.

“Feito com você” e agora “Feito de Futuro”. Esse é o novo slogan da marca mais valiosa do Brasil, o Itaú. 

O Banco que já vinha mudando a sua comunicação e forma de se relacionar com os seus clientes, recentemente mudou seu sistema de identidade e posicionamento, mas quais serão os impactos dessa mudança  para o público? Continue lendo esse artigo e acompanhe os detalhes dessa inovação.

A Marca

Criado em 1943,  por Alfredo Egydio de Souza Aranha, O Itaú Unibanco S.A, é a junção de várias instituições financeiras, como a Casa Moreira Salles e o Banco Central de Crédito, criados respectivamente em 1924  e 1943. 

Com mais de 40 anos de história, o banco que teve sua primeira agência em São Paulo, em 1945, lidera neste ano, 2023, o ranking de marcas mais valiosas do Brasil. 

Apesar de ser uma instituição tradicional, o posicionamento que tem adotado atualmente tem quebrado muitas caixas, o que mostra que, além de estar conectada com a tecnologia, está conectada com as mudanças sociais, mostrando-se uma marca inclusiva e atenta às necessidades de seus clientes. 

O Rebranding 

A marca Itaú é um case de estudo dentro do design, pois desde a década de 1960, o banco conta com grandes nomes envolvidos nos projetos da marca. 

Em 1964, Aloísio Magalhães, designer brasileiro natural de Pernambuco, deu início ao projeto. Logo em seguida, na década de 1970, Francesc Petit introduziu o conceito da pedra preta, como signo do banco, adotando o fundo preto como suporte para o tipograma da marca, mas o grande destaque vai para Alexandre Wollner, designer brasileiro formado na Escola de Ulm, que na década de 80, padronizou, sistematizou, implementou e gerenciou o uso da marca, desenvolvendo assim o primeiro e, até então, o mais completo sistema de identidade visual já feito no Brasil.

Destaque para os projetos de Aloísio Magalhães (1964) e de Alexandre Wollner (1972-1980).

Tendo em vista o histórico da marca e o apreço que ela tem ao design, compreendemos que realizar seu rebranding não seria uma tarefa fácil. Foi então, concordando com o trabalho memorável feito para a marca anterior e valorizando os estudos feitos por designers brasileiros, em especial o de Alexandre Wollner, que elaborou para a marca um sistema de identidade, que a nova identidade visual do Itaú foi elaborada. 

Certamente o trabalho de Wollner foi homenageado com essa mudança, pois com base nos seus estudos foi possível realizar o rebranding do Itaú, entendendo que a identidade visual é um sistema que identifica a marca para o seu público. Assim, neste projeto, os códigos já utilizados pela empresa receberam ainda mais destaque  e modernidade, preservando a comunicação com seu público mais antigo e estabelecendo uma melhor comunicação com um público mais jovem.

Veja o que mudou

Em concordância com o que foi instituído pelo designer Alexandre Wollner há 40 anos, os símbolos e signos do Itaú receberam ainda mais destaque e ganharam mais força dentro do projeto de rebranding! 

Um elemento rico em significados e que carrega o nome da marca (itaú = pedra preta em tupi-guarani) voltou e dessa vez melhor utilizado dentro da nova comunicação.

A associação do fundo do logo (quadrado abaulado) com a pedra ficou mais evidente e o box abaulado agora é utilizado em fotografias e ilustrações com visuais impactantes, calorosos e vivos.

Para uma instituição financeira, trazer esses elementos gera a conexão com o público, promovendo sensações como a prontidão para atender e segurança nas operações, criando, assim, uma atmosfera de cuidado para quem consome os serviços bancários das agências. Além disso, reforçam um discurso já adotado pelo banco em diversas campanhas anteriores, sobre o cuidado com os seus clientes, com as contas e com os dados.  

As linhas retas deixaram de vez o logotipo da marca

Assim como uma pedra, a marca foi refinada e o quadrado que antes tinha bordas arredondadas, agora possui suas laterais abauladas. Assim, a noção de rigidez que o antigo logo possuía foi reduzida, tornando o desenho da marca flexível e moderno, sem deixar de exalar segurança e confiança. 

Segundo a Entrevista de Eduardo Tracanella, Diretor de Marketing do banco Itaú, ao NeoFeed, o projeto foi importante para destacar a multiplicidade de perfis dentro do conceito full bank do Itaú, possibilitando enxergar os clientes e os serviços oferecidos com mais flexibilidade e posicionando o banco no futuro,mostrando que as pessoas são parte fundamental da instituição financeira. 

A tipografia “personnalité”

A tipografia do Itaú Unibanco também passou por mudanças, assumindo um formato mais “bold” e letras mais arredondadas. 

Explicação das mudanças tipográficas por Fábio Haag, um dos principais nomes do type design brasileiro e responsável pelo projeto do novo logotipo do Itaú.

O “i” de “itaú” deixou de ser maiúsculo e passou a ser minúsculo, recurso estilístico que aproxima a marca do seu público, agregando riqueza visual e personalidade para o logo. Além disso, a mudança torna o nome do banco mais legível, visto que a letra “I” maiúscula pode se confundir com  o “l” minúsculo. 

Através dessas mudanças, o Itaú explora uma nova família tipográfica exclusiva para o banco.

Cores que mostram a variedade dos serviços 

A nova paleta do Itaú busca reforçar os valores da instituição bancária, a flexibilidade e a modernidade. 

Ao todo foram mais de 70 estudos de cores, entre eles, estudo de associação da marca pela cor, que revelou que a maioria das pessoas envolvidas na pesquisa associam a marca Itaú à cor laranja, cor escolhida por Wollner e utilizada pelo banco desde a década de 80, que agora assume o papel de cor principal e institucional do banco.

A nova paleta cromática possui cores já conhecidas pelo público, porém com mais saturação, calor e vivacidade, além disso ela ainda será utilizada como forma de segmentação das áreas de atuação do banco, categorizando cada área por cores, tornando mais fácil a distinção de cada serviço. 

E na Internet, só se fala de outra coisa… 

Após a mudança do logo, algumas pessoas notaram a semelhança do logo do Itaú com o Inter, banco digital que usa o laranja, o quadrado e a tipografia minúscula na sua identidade. Mas, claro que essas mudanças tem uma explicação clara por trás.   

O Itaú utiliza o quadrado em sua comunicação e identidade visual desde 1970, o que mostra que o logo novo é uma atualização da forma que já utilizava, mas agora de uma forma ainda mais amistosa e inovadora. 

O conjunto de cores que está utilizando também passou por uma pesquisa de público e, dentre todas as cores que o banco já utilizava, o laranja era a que mais o destacava, por isso tornou-se a cor oficial do banco. Outro ponto importante é a maior legibilidade que a tipografia trouxe. 

A associação entre os bancos é pior para o Inter, visto que é um banco com menos tempo de mercado. 

Certamente, as mudanças sutis trouxeram um impacto imediato para o público, afinal, além de ser a marca mais valiosa de toda a América Latina, ela está presente no imaginário da população brasileira há décadas, então, era de se esperar que essa sua mudança fosse realmente causar muito impacto. 

A Campanha que une gerações 

As mudanças na marca do Itaú representam uma nova etapa da empresa, que assume um compromisso com as futuras gerações demonstrando preocupação não só com os 100 anos já passados da marca, mas também os 100 próximos que ainda virão. Mudando assim seu discurso e sua tagline de “Feito para você” para “Feito de futuro”.

Essa mudança de Tagline, sua campanha de lançamento reunindo famosos que marcam gerações, sua comemoração de centenário e a tradicional campanha institucional de fim de ano foi uma grande aposta para a comunicação da marca, mostrando que está pronta para atender todas as gerações. Outra reflexão importante está na transformação que a marca comemora nesses 100 anos, mostrando artistas que realmente transformaram a sua história, a história de uma sociedade e a história de gerações.  

Que marca ein, Capitão?  

E o que a Marino acha disso tudo? Que tal saber do nosso Diretor Daniel Dutra? 

A discussão sobre a recente mudança de marca do Itaú dominou as conversas na Marino na última sexta-feira, e com razão. Estamos diante de uma marca que tem investido consistentemente em design ao longo de mais de seis décadas.

Como pesquisador, professor e apaixonado pela história do design no Brasil, compreendo a profunda relevância que a marca Itaú representa na linha do tempo do design brasileiro.

Um marco significativo foi estabelecido quando, no final dos anos 1980, o Itaú inaugurou um departamento de design, tornando-se a primeira empresa brasileira a investir em um sistema completo de identidade visual. Essa iniciativa é mencionada nos nossos livros e nas aulas de graduação em design em todo o Brasil, destacando a influência e importância do banco na evolução do design no país.

Assim, ao abordar a questão da mudança de marca, é necessário cuidado e máximo respeito, sobretudo por nós, profissionais do campo.

Vale ressaltar ainda que, embora o branding do Itaú tenha passado por uma atualização, suas decisões fundamentais permanecem inalteradas ao longo das décadas.

Seus elementos distintivos, como o uso do box de cantos arredondados e a icônica cor laranja, escolhidos por Alexandre Wollner no final dos anos 60, continuam firmes. Essa continuidade de decisões acertadas é um testemunho da solidez da identidade do negócio e que design é um investimento de longo prazo. 

Por aqui, nós queremos muito ver os avanços do rebranding dessa marca centenária. E você? O que achou das mudanças? Nos conte aqui nos comentários. 

Esse texto é uma colaboração da tripulação da Marino: Sasha Ingrid (Produtora de Conteúdo); Davi Silva (Designer Gráfico); Daniel Dutra (Mestre em Design, Professor, Pesquisador e Diretor da Marino).

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